Alberto Pimentel, na sua monografia de 1902, revela-nos: “O que sei, porque claramente o vejo, é que em nossos dias a vila de Santo Tirso mostra ter partido do mosteiro: a sua linha inicial é uma extensa rua, que, saindo da portaria, galgou para o sul.”
Em meados do século XIX, nas vésperas de se tornar parte da estrada real n.º 32, a artéria central da vila de Santo Tirso era um local de múltiplas vivendas, casas térreas e torres, onde viviam muitos profissionais.
A relação de contribuintes de 1844 arrola-nos os moradores da Rua e nela podemos contar: 19 proprietários, 10 criados de servir, 9 negociantes, 6 jornaleiros, 6 vendeiros, 5 alfaiates, 4 moleiros, 3 escrivães de direito, 3 barbeiros, 2 farmacêuticos, 2 ferreiros, 2 sapateiros, 2 padres, 2 oficiais de diligências, 2 caseiros de terras, 2 advogados, 2 procuradores de causas, 2 carpinteiros, 2 padeiros, e havia ainda sacerdote, ferrador, marceneiro, juiz de direito, recebedor, administrador, lavadeira, tamanqueiro, escrevente, delegado da comarca, espingardeiro, feitor de terras e pároco.
Já no último quartel do mesmo século, com o surto migratório e a peste bubónica, a atividade económica da, então chamada «Rua 26 de Março», resumia-se a uma mão cheia de ourives — Ourivesaria Brandão, José Maria Carneiro de Varziela, José Rodrigues de Figueiredo, Rodrigo de Andrade, Nova Relojoaria de Avelino Carneiro Pinto — fazendas e mercearia (Francisco da Silva Abreu e António Maria de Sousa Guimarães), chapéus («Teixeirinha» de Manuel Joaquim de Sousa Teixeira), ferragens (João José Teixeira e Francisco Correia da Silva Carneiro Vida), socos e chancas (Pascoal Bailão de Sousa Carneiro) e calçado (sapataria Guedes e Tomás da Costa Moreira).
Para o limite sul da Rua tinha sido transferido o Hotel Caroço, com a sua cocheira a deitar para a Rua das Taipas.
Na Rua estabeleceram-se depois, com mercearia e vinhos: Alfredo Teixeira da Rocha Júnior, Luís Francisco de Araújo Filhos, António Ferreira de Araújo e Mário António Pinto Guimarães.
A numeração das casas da Rua 26 de Março era ímpar do lado da atual Caixa Geral de Depósitos. Este lado da Rua, manteve o seu carácter residencial, sendo mais comercial o lado da casa de José Luís de Andrade, com armazéns porta com porta. No entanto, com a edição da «Semana Tirsense» em 25 de dezembro de 1898, a redação deste jornal fixou-se na casa da família Trepa, números 167 a 169 da Rua.
Em 7 de outubro de 1900, Joaquim Ferreira de Moura abriu ao público o seu Café Central, ocupando os números 174 a 178 da Rua, avisando os fregueses que funcionava anexa ao café a sua “antiga confeitaria que estava na Rua de S. Bento”.
A partir de 1903, a Rua 26 de Março redimensionou-se, mudou de nome para Rua de Sousa Trepa, e atraiu novas atividades. Esta artéria passou a integrar todas as casas da parte nascente do Largo Coronel Baptista Coelho, até ao afunilamento antigo da Praça Conde de S. Bento e, do lado poente, todas as casas desde o Alto da Feira até à Casa Reis. Foi uma espécie de renascimento da ancestral Rua, a quem as obras e avenidas adjacentes fizeram soterrar 80 cms!
Recebeu mais o Colégio de Santa Teresa, os Cafés Popular e Sport, a casa Melon, a confeitaria Moura (como vimos acima), José Faria de Almeida, as ourivesarias de José Fernandes Pinto e de Maurício Plácido, um depósito de máquinas de costura Singer, loja de barbeiro, as Farmácias Castro e Borges, o correio geral, um talho com o seu chouriço de bambinela na porta, a escola complementar e habitação de professores, a mercearia Tirsense, o sindicato agrícola, a mercearia Ferreirinha de Luís Ferreira de Araújo e o «Jornal de Santo Thyrso».
O nome da Rua 26 de Março foi atribuído para comemorar a entrada do exército liberal nesta povoação, em 1834.